terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Oprah faz discurso inspirado contra assédio e racismo no Globo de Ouro



Um dos momentos mais comentados até hoje do Globo de Ouro 2018, realizado anteontem, foi o discurso empoderado de um dos maiores nomes negros e femininos da comunicação mundial.

Ao receber o Prêmio Cecil B. DeMille, concedido anualmente pela Associação de Correspondentes Estrangeiros a figuras notáveis da indústria audiovisual americana, a atriz e apresentadora Oprah Winfrey foi protagonista de um dos momentos mais emocionantes da cerimônia de entrega do Globo de Ouro 2018.

Em seu discurso de agradecimento, Oprah lembrou do Oscar concedido em 1964 a Sidney Poitier por sua atuação em "Olhai os lírios do campo". Ela também mencionou a morte recente de Recy Taylor, aos 98 anos, uma mulher negra raptada e estuprada em meados dos anos 1940, no estado americano do Alabama, e deixada à beira de uma estrada por seus agressores brancos. Na época, a ativista dos direitos civis Rosa Parks, conhecida por enfrentar a proibição de negros andarem nos ônibus na parte da frente, assumiu o caso e o levou à Justiça.

Ela também falou sobre os recentes casos de assédio sexual em Hollywood: "Cada um de nós nesta sala é celebrado por causa das histórias que contamos, e este ano nós nos tornamos a história."

Segue a íntegra do discurso:

"Obrigada, Reese [Witherspoon]. Em 1964, eu era uma garotinha sentada no chão de linóleo da casa da minha mãe em Milwaukee, assistindo Anne Bancroft apresentar o Oscar de melhor ator, na 36ª edição do prêmio. Ela abriu o envelope e disse cinco palavras que literalmente fizeram história: 'O vencedor é Sidney Poitier'. O homem mais elegante que eu já vi subiu ao palco. Sua gravata era branca, sua pele era negra – e ele estava sendo celebrado. Nunca havia visto um homem negro ser celebrado dessa maneira.

Tentei muitas, muitas vezes explicar o que um momento como esse significa para uma garotinha, uma criança que olha a mãe passar pela porta, cansada até os ossos de limpar a casa de outras pessoas. Mas tudo o que posso fazer é citar aquela música que Sidney cantou em 'Os lírios do campo': 'Amém, amém, amém, amém'.

Em 1982, Sidney recebeu o prêmio Cecil B. DeMille aqui no Globo de Ouro, e eu sei que, neste momento, há algumas garotinhas assistindo eu me tornar a primeira mulher negra a receber esse mesmo prêmio. É uma honra, é uma honra e é um privilégio compartilhar a noite com todas elas e também com os incríveis homens e mulheres que me inspiraram, que me desafiaram, que me apoiaram e fizeram minha jornada até esse ponto possível. Dennis Swanson, que apostou em mim para o talk show 'A.M. Chicago'. Ele me viu no programa e disse ao Steven Spielberg: 'Ela é a Sophia de ‘A Cor Púpura’'. Gayle, minha amiga, e Stedman, meu porto seguro."


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